quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Tudo que há no mundo sonha
tudo que há no mundo some,

só um mergulho fará
com que não suma o sonho

e, portanto, consuma.
(mesmo que ele seja claustrofóbico)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

da tristeza não se foge
da tristeza não se fode
da tristeza não se apaga
nem se sacode


da tristeza não se sente o pé
da tristeza não se apaga a luz
da tristeza não se conduz
à tristeza que se é


da tristeza não se respira
da tristeza não se conspira


mas é da tristeza 
que à felicidade se aspira.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sobre todos os lagos caminha a solidão,
sobre toda selva caminha uma ponta de esperança,
mas sobre toda meticulosa vida 
quem dá os passos?

terça-feira, 26 de julho de 2011

Rio Assim.


Água assim faz do rio sim,
Barco sim faz do rio assado.


Chuva que desce
faz do rio assim,
transporte de água assada,
asas no tubo da sua corrente sim.


Assim vai o barco,
pomposo e compondo o seu trajeto,
sim, vai sozinho,
a navegar na verde água do rio Assim,
que, assim, corre com a sua vida, 
passada a sim.

terça-feira, 19 de julho de 2011

boca azul de céu nos olhos
vento verde de mar nos ouvidos
gosto anis de flor na lapela da boca
vinagre de sal no coração do amor


labirinto rubro no corredor da vida
terra seca no fundo do oceano
natureza calada colada no quadro
na nuca, minha, o zumbido da abelha


o apito doente da pia
o pingo terreno do chão do chuveiro
careta da bagunça da casa do quarto
lá, onde você se entrega


cante ai,
verso na prosa


bilhete no alto dessa musica descomposta.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Para desanuviar a mente,
deixo o tempo presente,
para pensar num outro tempo.

Para anuviar a ideia,
deixo parar o mundo
e vou mais profundo
no universo restante.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Calma e sozinha 
ela caminhava pelas poças d´águas
sem fazer barulho para o frio, sem sentir o vento.


Ele só a observava,
fazendo as imagens 
uma cena de cinema.