quinta-feira, 26 de março de 2009

Gosto de gosto com açúcar
Olhos com gotas de sabão
Pingos que transbordam de lágrimas
Gotas com gosto de sal
Saliva com gasto do gosto
Esgoto de tempero esgotado
Paixão de umidade seletiva.
Olhos com gosto de sabão
Espumas num piscar de olhos
Lágrimas em proliferação.
Felicidade de gosto e tato
Degustativa
De gosto ativo
De cheiro e de risada
De boca com sabão em bolhas
Bolhas de sabão
Salvarão a tempestade
Do gosto gasto
Dos olhos, da boca, do cheiro e da boca
Já em tempo passado e tarde.

segunda-feira, 23 de março de 2009

This is what you get

Não sei nem por onde, em que ponto começar a falar sobre o show do Radiohead, que presenciei em SP. Cansativo. Mas compensatório. Nunca na minha vida eu vi algo parecido. Claro, é a minha banda preferida. Mas não só por isso, músicos que uniram musicalidade, melodias inexplicáveis e um palco pra deixar na memória cada um extasiado. Momentos do show que eu me perguntava o que eu faria após sair deste show? Um dia depois, imagens, sons não me saíam da cabeça. Um rádio era a minha cabeça. Ouvi muita gente falar de que seria um show depressivo, mas eu nunca usei a música deles para momentos de tristeza, ou nunca ela me deixou pra baixo. Há algumas composições angustiantes, mas musicalmente eles me transportam para outro universo. Meus pés (já doloridos) me pegavam por acima do chão em certos momentos. Eu não acreditava no que estava vendo e ouvindo (estaria já em outra dimensão?). Por vezes fechava os olhos e sabia que não estava lá. Thom Yorke genial, voz, instrumentista. Toda banda, Ed O´Brian e John Greenwood sensacionais. E os fãs? Só quem estava lá para relatar. Imagens transpostas no telão? Muito cineasta deveria aprender com esse show. A sensação que tive ao deixar o local do show é de achar que dificilmente uma noite musical superará esta. E o cansaço? Tudo compensou. Até a fina garoa da tarde, já que estávamos em São Paulo, mas à noite, o céu estrelado, para uma noite tão especial e inesquecível.
"Everything in its right place"

terça-feira, 17 de março de 2009

Afague o meu pensamento
Abrace meus braços sem dizer adeus
Não solte do meu peito o sentimento
Carregue-o em suas mãos
Percorra com ele na sua vida
Transporte para o seu dia o meu sorriso
Marque nos meus olhos a tempestade dos seus
Não remova as surpresas nem deixe de presentea-las
Seja a fada que voa ao redor da minha cabeça
Faça-me sentir o cheiro repentino que sai de sua pele
A qual me faz chorar
Silencie junto comigo
Faça de dois seres apenas um
Ouça o silêncio
...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Versar, usar, amar
Tocar, cheirar, apreciar
Acariciar, sentar, abraçar
Temperar, confabular, deixar
Partir, andar...
Tudo isso misturado em um só sorriso.

terça-feira, 3 de março de 2009

Esbarro na saia do seu cabelo
De ouro que resplandece
A lua dos olhos seus e
Os átomos de minh´alma
Agitam-se em atmosferas distantes
O seu humor
O céu em humor
Há mar em tempo indefinido
Luz reluzente
Remanescente de sorriso seu
Aquele que me coloca em um trem
E vou beirando o meu infinito horizonte
As curvas da serra
Em pele clara, lábios cor de maçã.
Celestial vida ativa do meu ser
Ilusão dos olhos meus
Malícia do meu cheiro
Boca da minha boca
Notícia do querer bem que preciso.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Já não adorno mais o tempo silencioso e lento que estava preso ao meu peito. Já não distingo a expressão do sorriso calmo do meu rosto aos olhos redentores de uma outra face alheia ao que eu desejava. Já estou em apuros, ou não. O vento que ondulava feito cabelos esvoaçantes e o meu registro facial já não me faz mais o melhor homem do mundo. Estou à procura de nada, parado neste mesmo tempo. Não silencioso, mas lento. Estarei à mercê do que vier. Abrirei o mar do meu pensamento. Relevarei tudo o que puder e o que não puder ousarei usar a loucura. Já não me sinto mais o ser que carrega nas costas todo o sentimento desnutrido com o passar desse tempo. Já tenho a culpa transposta. Já imagino horas melhores. O mesmo tempo. Rápido mas silencioso. Já não martelo mais o mesmo prego nem a mesma erupção que antes me quedava. Um beijo bom com sal, um beijo bom com limão. Aquele que repugna que adira o estado antes silencioso e o faz musical. Já não cantarei sozinho o tempo e o vento antes ondulados já começarão a se movimentar.
“nothing is gone change my world” – Across the universe - Beatles

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Algumas pessoas são feitas para sorrir
Outras para ouvir música
Para tocar piano.
Algumas pessoas são feitas para ler Shakespeare
Outras para entender o que se passa com o ser humano.
Algumas pessoas são feitas para sentar à beira do rio,
Outras para deitarem-se na areia ao relento do mar.
Algumas pessoas são feitas para dançar,
Outras para sentir os batimentos cardíacos depois de uma noite de beijos.
Algumas pessoas são feitas para olhar o relógio tictaquear
Outras para se divertir sem tempo.
Algumas pessoas são feitas para envelhecer
Outras para saber que gosto e que cheiro tem a vida.
Algumas pessoas são feitas para viver,
Outras para amar.



Após assistir O curioso caso de Benjamin Button