sexta-feira, 18 de junho de 2010

A minha voz rouca, sentada, pedindo sua ajuda. A minha voz em busca do meu canto em algum canto seu. A minha voz suja, lavrada pela visceral hostilidade sua. A minha boca pronunciada pela sua voz, voz minha. A oca voz que sai pelas minhas gargantas, pelos meus poros, pelo meu ouvido, pelo seu chamado. Qualquer som da minha boca pronunciando seu nome, que não faça bem, não faça mal, não faça. Faça. A minha boca pronunciada pela sua. A minha rouca voz, limpa, úmida, atrapalhada como as palavras que tento escrever, sem nexo, desconexo com a voz translúcida da minha espera pela sua saída. Chegada. Início de tudo novamente. Culpa da sua nova chegada? Abrigo da minha voz, da sua voz, da nossa e sempre verdadeira voz. Culpa? Só da minha voz, da minha boca, da minha unidade em prol da sua satisfação. Tristeza? Só da lonjura da sua boca da minha. Meu pranto pelo meio das nossas bocas. Meu pranto entre a sua hostil felicidade. Um tanto, um tempo, um tento, para mim e para você na solidão não desperdiçar a nossa paz. Tristeza e culpa? Da minha parte, nunca mais.

2 comentários:

Maria Vieira disse...

nossa. li três vezes. não tenho mais nem uma vírgula a dizer.

Elaine Castro. disse...

Nossa, apaixomei-me por este texto. Acho que principalmente porque identifiquei-me do começo ao fim!!!

Abraços.