sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Já não adorno mais o tempo silencioso e lento que estava preso ao meu peito. Já não distingo a expressão do sorriso calmo do meu rosto aos olhos redentores de uma outra face alheia ao que eu desejava. Já estou em apuros, ou não. O vento que ondulava feito cabelos esvoaçantes e o meu registro facial já não me faz mais o melhor homem do mundo. Estou à procura de nada, parado neste mesmo tempo. Não silencioso, mas lento. Estarei à mercê do que vier. Abrirei o mar do meu pensamento. Relevarei tudo o que puder e o que não puder ousarei usar a loucura. Já não me sinto mais o ser que carrega nas costas todo o sentimento desnutrido com o passar desse tempo. Já tenho a culpa transposta. Já imagino horas melhores. O mesmo tempo. Rápido mas silencioso. Já não martelo mais o mesmo prego nem a mesma erupção que antes me quedava. Um beijo bom com sal, um beijo bom com limão. Aquele que repugna que adira o estado antes silencioso e o faz musical. Já não cantarei sozinho o tempo e o vento antes ondulados já começarão a se movimentar.
“nothing is gone change my world” – Across the universe - Beatles

4 comentários:

Aline Lima disse...

Rafael gostei do silêncio agudo das tuas palavras: coisa muito fina mesmo! Muito boa tua casinha de palavras.

Meu beijo, Aline.

Patrícia Lage disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Patrícia Lage disse...

Rapha...
Eu sei, há muito tempo, que tuas mãos não combinam com pregos e martelo.

Lindo, lindo, lindo texto.
Beijos!

Anônimo disse...

bom demais
um ar de maturidade

JURA