segunda-feira, 3 de setembro de 2007

A cidade era um vão. Poucas pessoas se encontravam nos seus lugares escusos. Poucos carros passavam por entre as poucas árvores que ficavam nas ruas. O sol pouco brilhava nas escuras ruas às quais estas mesmas árvores faziam sombras. Mas poucas coisas eram tão notórias como o sorriso das pessoas que moravam nesta cidade. Detalhes mínimos faziam-nas sorrir. Por este eles se encontraram num semáforo. Olharam um nos olhos do outro e apenas sorriram. Apenas fizeram-se perceber perante o outro. O sol não brilhava naquele momento, naquele lugar. Era inverno. Nos tempos de inverno a saudade arde mais. Fizera deles lembranças de aquelas importantes pessoas que passaram na sua vida. Sabiam que da saudade deveria ficar mesmo somente esta lembrança. Deveriam prosseguir o rumo e viver em cada vão daquela cidade, daquele lugar onde se encontrariam mais vezes. Fazer dos encontros momentos de saudades futuras. Fazer dos caminhos tortuosos, as saudades da vida de cada um. Sabiam-se que da saudade de um amor, de um momento passageiro poderiam transportar-se para outro plano, um plano que os livrassem da futilidade do mundo, da fumaça que o dia-a-dia faz na cabeça de cada um. Deixariam a saudade bater somente aquele momento no peito de cada um e construiriam uma nova saudade, juntos. Não através do tempo, mas através do sorriso.

2 comentários:

pati disse...

"Nos tempos de inverno a saudade arde mais."

é bem verdade...
nenhuma saudade arde tanto se não é no inverno.

linda cidade...
beijo!

leo-desde1984 disse...

Gosto muito dessas estórias contadas em partes, como se fossem entre aspas. Não sei se vc ja leu mas o bruno medina postou uma estória no blog dele por um tempo muito boa (Jean e Claire..). Caso ainda não tenha visto tenho ela em doc. Como vc é fã de lh deve até ter lido antes de mim (rs), mas td bem
Abraços